As palavras que te envio são interditas
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
Eugénio de Andrade
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
As palavras que te envio são interditas
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sábado, 27 de março de 2010
Desafio - Onde são as ilhas
Música, levai-me:
Onde estão as barcas?
Onde são as ilhas?
Eugénio de Andrade
Desafio os leitores a responder a Eugénio de Andrade: Onde estão as barcas? Onde são as ilhas?
quinta-feira, 11 de março de 2010
As palavras
As palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
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quarta-feira, 10 de março de 2010
Sê paciente; espera
Ontem falhei a minha mensagem habitual.
Para os que notaram a minha falta, dedico-lhes este poema:
Para os que notaram a minha falta, dedico-lhes este poema:
Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.
Eugénio de Andrade
sábado, 6 de março de 2010
Ainda sabemos cantar
Dispensa explicações ou introdução. O poema diz tudo.
Ainda sabemos cantar,
só a nossa voz é que mudou:
somos agora mais lentos,
mais amargos,
e um novo gesto é igual ao que passou.
Um verso já não é a maravilha,
um corpo já não é a plenitude.
Eugénio de Andrade
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