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sábado, 19 de janeiro de 2013

Hora Grave

Quem chora agora algures no mundo,
  sem motivo chora no mundo,
  chora por mim.

Quem ri agora algures na noite,
  sem motivo ri na noite,
  ri de mim.

Quem vagueia agora pelo mundo,
  sem motivo vagueia pelo mundo,
  vem até mim.

Quem morre agora algures no mundo,
  sem motivo morre no mundo:
  olha para mim.


Rainer Maria Rilke, O livro das imagens
(tradução portuguesa de Maria João Costa Pereira)

sábado, 10 de novembro de 2012

Solidão


A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.

Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:

então, a solidão vai com os rios…

Rainer Maria Rilke

Tradução de Maria João Costa Pereira