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domingo, 18 de novembro de 2012

Será por bem

O primeiro-ministro do rei era homem de ampla visão e grande equanimidade. Precisamente por isso, o rei tinha grande confiança no seu ministro. Muitas vezes, perante algum acontecimento ou circunstância, o homem dizia: «É por bem». Mas eis que um dia, enquanto usava uma faca, cortou um dos dedos da mão. O ministro, que estava presente naquele momento, declarou sem perder a calma:
- Será por bem.
O monarca ficou fora de si. Como é que cortar um dedo e ficar mutilado para sempre podia ser por bem? Indignado e desiludido, o monarca ordenou que prendessem o ministro. O ministro disse:
- Será por bem.

Dias depois, o reino foi conquistado por outro reino vizinho. O monarca invasor ordenou que os sacerdotes imolassem o rei vencido em honra dos deuses. Iam imolá-lo quando descobriram que lhe faltava um dedo, pelo que tiveram de desistir do ritual (não se oferece  aos deuses um corpo imperfeito). Então, o monarca vencedor disse:
- Nesse caso, sacrifiquem o primeiro-ministro
Mas como o primeiro-ministro estava na prisão, ninguém conseguiu encontrá-lo.

Passadas várias semanas, forças leais ao rei destronado conseguiram recuperar o reino. Então, o rei apercebeu-se de que o seu ministro sempre tivera razão

fonte: Os Melhores Contos Espirituais do Oriente

terça-feira, 18 de maio de 2010

Mais um conto oriental

 Numa aldeia da Índia, vivia um homem de grande santidade. Aos aldeões parecia-lhe uma pessoa notável e, ao mesmo tempo, extravagante. Na verdade, aquele homem chamava-lhes a atenção tanto como os desconcertava. O caso é que pediram que predicasse para eles. O homem, que estava sempre disponível para os outros, acedeu sem hesitar. No dia marcado para a prédica, teve a intuição de que a atitude deles não era sincera e achou que mereciam uma lição. Chegou o momento da palestra e os aldeões, divertidos, dispuseram-se a ouvir o homem santo, convictos de que iam passar um bom bocado à sua custa. O mestre apresentou-se perante eles. Após uma breve pausa de silêncio, perguntou:
  - Amigos, sabeis do que vos vou falar?
  - Não - responderam.
  -Nesse caso - disse - não vou dizer-vos nada. São tão ignorantes que nada poderia dizer que valesse a pena.(...)
  Os assistentes, desorientados, foram para casa. No dia seguinte reuniram-se e decidiram reclamar as palavras do santo. O homem santo não hesitou em se apresentar perante eles, e perguntou-lhes:
  - Sabem do que vos vou falar?
  - Sim, sabemos - responderam os aldeões.
  - Sendo assim - disse o santo -, não tenho nada para vos ensinar porque já sabem. Tenham uma boa noite, amigos.
  Os aldeões sentiram-se vilipendiados, frustrados e indignados. Mas de forma alguma desistiriam, e voltaram a convocar o homem santo. Este olhou para os assistentes em silêncio e muito calmo. Pouco depois, perguntou:
  - Sabem, amigos, de que vos vou falar?
  Não querendo ser apanhados novamente, os aldeões já tinham combinado a resposta:
  - Uns sabemos e outros não.
  E o homem santo disse:
  - Nesse caso, aqueles que sabem que transmitam o seu conhecimento àqueles que não sabem.


sexta-feira, 2 de abril de 2010

Na terra dos Sonhos

Encontrei esta história que me dei ao trabalho de traduzir:

Na terra dos Sonhos

"O nosso mestre costumava fazer uma sesta todas as tardes", relatou um discípulo de Soyen Shaku. "Nós, crianças, perguntámos-lhe por que o fazia e ele disse-nos: Eu vou à terra dos Sonhos para conhecer os velhos sábios tal como fizera Confúcio." Quando Confúcio dormia, ele sonhava com velhos sábios e depois falava deles aos seus seguidores.
"Certo dia, quando o calor era muito, alguns de nós decidiram dormir uma sesta. O nosso mestre ralhou-nos. Nós fomos à terra dos Sonhos conhecer os velhos sábios tal como fez Confúcio, explicámos. Qual foi a mensagem desses sábios?, quis saber o mestre. Um de nós respondeu: Fomos à terra dos Sonhos e perguntámos-lhes se o nosso mestre vinha aqui todas as tardes, mas eles disseram que nunca o tinham visto."